
As fraturas de punho (fraturas da extremidade distal do rádio) estão entre as lesões ortopédicas mais frequentes do corpo humano. A escolha do tratamento é individualizada e depende das características da fratura e do perfil de cada paciente. Em muitos casos, a cirurgia pode ser necessária.

Estas fraturas apresentam uma distribuição bimodal, com dois perfis epidemiológicos distintos:
Mulheres idosas com osteoporose: É o grupo mais comum. As fraturas geralmente resultam de traumas de baixa energia, como quedas da própria altura, onde a paciente tenta amortecer o impacto apoiando a mão espalmada no chão.
Adultos jovens (principalmente homens): Nesse grupo, as fraturas costumam ser causadas por traumas de alta energia, como acidentes de transito, quedas de altura ou traumas esportivos. Nestes casos, as fraturas tendem a ser mais complexas (articulares e fragmentadas), e frequentemente estão associadas a outras lesões (ligamentos, cartilagem, nervos e fraturas de outros ossos).


O punho conecta o antebraço à mão e é composto pelas extremidades distais do rádio e da ulna, além dos ossos do carpo.
A estabilidade do punho depende da integridade dos ossos, superfícies articulares, ligamentos e tendões. Trabalhando em conjunto, essas estruturas permitem ao punho ter ampla mobilidade e transmitir cargas, preservando o alinhamento entre os ossos.

A suspeita inicial de uma fratura de punho é baseada no mecanismo do trauma e nos sintomas apresentados pelo paciente. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem, como radiografia e tomografia.
História e Exame Clínico: Na maioria dos casos, o paciente procura atendimento após um trauma, apresentando dor e edema no punho. Na avaliação clínica inicial, o médico busca identificar deformidades, sinais de fratura exposta (feridas na pele ou sangramento) e possíveis alterações neurovasculares, testando a sensibilidade, motricidade e perfusão sanguínea da mão. Também investiga eventuais lesões associadas.
Em traumas de alta energia, a prioridade é estabilizar o paciente e excluir lesões em órgãos vitais que possam representar risco a vida.

Radiografia (Raio-X): É o exame inicial. Realizado nas incidências PA (vista de frente) e perfil (vista de lado), permite confirmar o diagnóstico, classificar o padrão da fratura e guiar a escolha do tipo de tratamento.
Tomografia Computadorizada (TC): Indicada principalmente para fraturas articulares. Detalha o número, a posição e os desvios dos fragmentos articulares, auxiliando no planejamento pré-operatório.



A escolha pelo tipo de tratamento das fraturas de punho (conservador ou cirúrgico) depende das características da fratura — como localização, grau de desvio, estabilidade e lesões associadas — e de fatores do paciente, como idade, comorbidades e nível de atividade.
Tratamento Conservador (Não Cirúrgico): Indicado para fraturas estáveis, sem desvio (ou mínimo desvio), especialmente em pacientes com baixa demanda.
Tratamento Cirúrgico: Indicado para fraturas instáveis, com desvios importantes, incongruência articular (degrau na articulação) ou encurtamento do rádio, principalmente em pacientes com maior demanda.
Consiste na imobilização gessada por cerca de seis semanas. O protocolo padrão geralmente envolve 4 semanas com gesso axilopalmar (acima do cotovelo), para bloquear os movimentos de rotação do antebraço (prono-supinação), seguido por mais 2 semanas com gesso antebraquiopalmar (abaixo do cotovelo).

A escolha da técnica cirúrgica depende principalmente do padrão de gravidade da fratura. A qualidade óssea do paciente também influencia. Os principais métodos utilizados são:
2.1. Pinos Intraósseos (Fios de Kirschner): Síntese minimamente invasiva, geralmente por via percutânea, sem necessidade de incisão de pele. Indicada principalmente para fraturas extra‑articulares simples em pacientes com boa qualidade óssea.
2.2. Placa Volar Bloqueada: É o padrão atual para a maioria das fraturas cirúrgicas. Os parafusos travam na placa, conferindo maior estabilidade mecânica e reduzindo o risco de perda da redução — vantagem importante em pacientes com osteoporose. Permite menor tempo de imobilização e recuperação mais precoce
2.3. Fixação de Fragmentos Específicos: Técnica que utiliza placas de perfil baixo para fixar fragmentos-chave (específicos), restaurando as colunas funcionais da extremidade distal do rádio.


A cirurgia é realizada sob anestesia do plexo braquial (bloqueio regional que anestesia apenas o membro superior), associada a sedação leve.



Nas crianças, a grande maioria das fraturas distais do rádio é tratada com gesso. O esqueleto infantil tem um grande potencial de remodelação óssea, sendo capaz de corrigir desvios naturalmente ao longo do crescimento da criança.
Em fraturas com grandes desvios, realiza-se a redução fechada (melhora o alinhamento do osso) sob anestesia, seguida da imobilização com gesso.
A cirurgia costuma ser reservada para fraturas articulares desviadas ou quando não se consegue um alinhamento satisfatório por meio da redução fechada.
O sucesso do tratamento cirúrgico depende dos cuidados pós-operatórios e do protocolo de reabilitação.
Primeiros dias: O paciente recebe alta com uma tala gessada, mantendo os dedos livres. Deve movimentar os dedos ativamente e manter a mão operada elevada para reduzir edema e prevenir rigidez articular. Não é permitido carregar peso com o membro operado até a consolidação óssea.
5 a 7 dias: Realiza-se o primeiro curativo para avaliação da ferida cirúrgica. A imobilização é recolocada.
10 a 14 dias: Retira-se os pontos de sutura. A tala gessada geralmente é substituída por uma órtese removível.
3ª semana: Inicia-se a fisioterapia. Nessa fase é permitido molhar a ferida operatória. Após a cicatrização da pele, recomenda-se massagear a cicatriz com hidratante para reduzir o edema e prevenir aderências de tecidos locais.
Sim. A fisioterapia é uma etapa importante da recuperação das fraturas de punho.
Nos casos tratados com gesso, a fisioterapia é iniciada após a consolidação da fratura, por volta de seis semanas.
No tratamento cirúrgico, inicia-se de forma precoce (por volta da 3ª semana), focando inicialmente no controle da dor, redução do edema e ganho de movimento, evoluindo progressivamente para o fortalecimento muscular.
O resultado final do tratamento é alcançado após um ano da cirurgia, sendo o ganho de força e de mobilidade progressivos nesse período.
Quando tratadas de forma inadequada (ou não tratadas), as fraturas de punho podem resultar em sequelas funcionais importantes, por exemplo:
Consolidação Viciosa (“Osso colado torto”): Ocorre quando o rádio consolida de forma desalinhada. Pode resultar em deformidade estética visível, dor crônica, perda de força e limitação dos movimentos. Em alguns casos, o desvio ósseo pode comprimir o nervo mediano, desencadeando um quadro de Síndrome do Túnel do Carpo.
Artrose Pós-Traumática: Se a fratura consolidar com degrau articular superior a 2 mm, o atrito mecânico anormal pode acelerar o desgaste da cartilagem. Isso pode causar, a médio e longo prazo, dor crônica, rigidez articular e perda de função do punho.
Ortopedista Especialista em Cirurgia de Mão e Punho
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